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	<title>Transforma, Desenvolvimento de Competências &#187; Consumo Inteligente</title>
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		<title>Para comprar, não decida pelo preço, decida pelo custo e pelo valor das coisas</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Aug 2008 16:18:24 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elmer Ponte</dc:creator>
				<category><![CDATA[Consumo Inteligente]]></category>

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		<description><![CDATA[O preço é geralmente um dado decisivo na hora de se adquirir algo. É um número que fixamos na mente e que serve de comparação com outras alternativas a nosso dispor. No entanto, mesmo para produtos e serviços semelhantes, uma decisão baseada exclusivamente no preço nem sempre é a mais vantajosa do ponto de vista [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>O preço é geralmente um dado decisivo  na hora de se adquirir algo. É um número que fixamos na mente e que  serve de comparação com outras alternativas a nosso dispor. No entanto,  mesmo para produtos e serviços semelhantes, uma decisão baseada exclusivamente  no preço nem sempre é a mais vantajosa do ponto de vista financeiro,  pois podemos ter outras despesas para utilizar o que compramos &#8211; o  que pode tornar uma opção que parecia vantajosa numa escolha desvantajosa.</p>
<p>Lembro-me da aquisição de uma máquina  copiadora para meu escritório em que minha funcionária escolheu um  modelo que nos satisfazia muito bem, com preço surpreendentemente baixo.  Mas, ao verificar o custo mensal da assistência técnica (que era indispensável)  e fazer uma projeçã£o dos insumos necessários ao funcionamento da  máquina, concluí que havia outras opções melhores e, em longo prazo,  muito mais baratas.</p>
<p>Esse exemplo se aplica a muitas situações,  até porque hoje adquirimos cada vez mais serviços no lugar de simples  produtos físicos. E dentre os custos mais comuns que temos de assumir  estão taxas de administração, assistência técnica, insumos, seguros  e impostos. Em alguns casos, como copiadoras e impressoras de computador,  os custos dos insumos podem ser tão elevados, que têm mais importância  que o preço de aquisição.</p>
<p>Alguns consultores financeiros preferem  considerar bens de alto custo de manutenção e baixa liquidez como  passivos e não como ativos &#8211; até porque são bens que têm uma tendência  a se depreciar ao invés de se valorizar. O raciocí­nio é que esses  bens são centros de custo e não de receita, além de serem difí­ceis  de vender na hora em que o proprietário deseja se ver livre deles.  Quem tem um barco de lazer de luxo, por exemplo, tem que pagar pessoal  especializado de manutenção e alugar espaço numa marina para guardá-lo.  Até imóveis podem se enquadrar nessa categoria. Dois exemplos: uma  casa de veraneio que exige empregados permanentes e um flat que tem  taxa de condomÃ­nio e impostos muito elevados.</p>
<p>Além de não incluir os custos que incidem ao longo do tempo, o preço de um bem ou de um produto pode não refletir  o verdadeiro custo de aquisição. A compra de um imóvel implica em  custos adicionais de transmissão, registro e impostos. Um automóvel,  além do preço de tabela, pode exigir o pagamento do frete, do licenciamento  e de eventuais acessários não incluí­dos no modelo original. Até  uma simples compra feita pela internet exige que se inclua o valor do  frete se desejamos compará-la com o preço da loja.</p>
<p>Depois de contabilizar todos os custos  envolvidos, ainda resta um exercí­cio que vai nos ajudar a decidir sobre  uma compra importante. Trata-se de refletir sobre o proveito que vamos  tirar do nosso investimento. Nada que se mantenha ocioso, sem utilização,  pode ser considerado barato, mesmo que seu preç§o tenha sido baixo.  E devemos fugir de coisas que utilizamos pouco mas têm um custo fixo  de manutenção elevado. Por outro lado, uma coisa que nos traz prazer,  conforto ou realização pode ser altamente compensadora, mesmo que  tenha preço elevado &#8211; desde, é claro, que tenhamos condições de  pagá-la. É a famosa relação custo/benefí­cio, que nos diz quanto  estamos nos beneficiando em relação ao que estamos pagando. Essa é  a maneira mais inteligente de utilizar nossos recursos, principalmente  se forem escassos ou se tiverem sido ganhos com muito trabalho.</p>
<p>Tudo isso parece claro, até óbvio,  e você deve estar se perguntando exatamente onde eu quero chegar. A  questã é que somos frequentemente traí­dos pelas emoções ao tomar  decisões financeiras. Podemos <em>esquecer</em> o custo das coisas para  tornar mais atraente e justificar (para nós mesmos) uma compra que  tanto desejamos fazer. E os vendedores trabalham esse viés emocional,  não se preocupando em esclarecer todos os custos envolvidos.</p>
<p>Os vendedores de <em>time-shares </em>(utilização compartilhada de hotéis e resorts),  por exemplo, se concentram em demonstrar o conforto e a beleza das propriedades  de lazer que vendem, não salientando os custos de manutenção que  deverã£o ser pagos pelo comprador ano após ano. No entanto, o conhecimento  da taxa anual de manutenção é indispensável para que o comprador  verifique se essa despesa cabe de fato em seu orçamento e, também,  para que ele compare esse valor com os custos de hospedagem em resorts  comuns, escolhendo assim a melhor alternativa. Essa é a forma correta  de decidir, e não simplesmente pelas belezas do local, até porque  existem muitos lugares bonitos no mundo. Uma pessoa que viaja de férias  todos os anos hospedando-se em hotéis de luxo poderia adquirir um <em> time-share</em> e economizar diárias de hotel. A mesma opção não  faria sentido para outra pessoa, que viaja menos ou se hospeda em hotéis  mais simples.</p>
<p>Em resumo, somente a consideração  de todos os custos e benefí­cios envolvidos pode nos dizer, com todas  as letras, se podemos e devemos pagar de fato por algo que nos atraiu.  E se o que parecia simples no iní­cio desse artigo parece agora um pouco  mais trabalhoso, não se preocupe. O importante é criar uma postura  menos emocional e impulsiva &#8211; e mais crí­tica &#8211; diante de tantos  apelos e tentações a que somos expostos. A própria leitura desse  artigo já deve servir como um alerta e uma reflexão. É um preço  muito pequeno a pagar, pois conheço muitas pessoas que fizeram compras  importantes sem a devida consideraçã£o dos custos e, por isso, desarrumaram  sua vida financeira e depois sua própria vida emocional. Afinal, você não vai querer ter duas alegrias &#8211; a da hora de comprar e a da hora  de se ver livre do que comprou. Nem você merece tanta alegria assim!</p>
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		<title>À vista ou a prazo, hoje ou amanhã?</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Jul 2008 23:24:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Elmer Ponte</dc:creator>
				<category><![CDATA[Consumo Inteligente]]></category>

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		<description><![CDATA[Ao fazermos uma compra que seja de valor maior e não tenha caráter de urgência, devemos exercitar um pouco de planejamento financeiro para decidir o que é melhor para nosso bolso. Duas questões se colocam: quando fazer a compra &#8211; agora ou no futuro &#8211; e como pagar &#8211; à  vista ou a prazo. Muitas [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p align="justify">Ao fazermos uma compra que seja de valor maior e não tenha caráter de urgência, devemos exercitar um pouco de planejamento financeiro para decidir o que é melhor para nosso bolso. Duas questões se colocam: quando fazer a compra &#8211; agora ou no futuro &#8211; e como pagar &#8211; à  vista ou a prazo. Muitas vezes decidimos <em>no olho</em> e optamos por comprar agora e pagar a prazo. O importante é que as prestações caibam em nosso orçamento, certo? Errado! Mesmo que as prestações caibam no orçamento, a compra à  vista pode ser mais vantajosa, por isso, as duas opções devem ser comparadas. Vejamos como.</p>
<p align="justify">Em tempos de alta inflação &#8211; o terrí­vel imposto disfarçado que nos ameaça novamente &#8211; existe uma maneira simples de decidir. Se os juros cobrados pelo vendedor são mais baixos que a inflação, devemos comprar a prazo, pois, em valores reais, estaremos pagando um preço menor pelo produto. Por outro lado, se os juros são mais altos, estaremos compensando o vendedor com um valor real maior, portanto, devemos optar pelo pagamento à  vista &#8211; desde que tenhamos o montante necessário.</p>
<p align="justify">Mas cabem outras considerações. Se o dinheiro está investido, e o investimento precisa ser resgatado para cobrir o valor da compra à  vista, cabe comparar o rendimento que estamos obtendo (e que deixaremos de obter ao resgatar o investimento) com os juros que teremos de pagar. Se os juros a pagar são mais altos que os rendimentos que deixaremos de ganhar, vale resgatar o investimento e pagar á  vista. Mas se os juros são mais baixos, cabe pagar a prazo e deixar o dinheiro investido, embolsando a diferença.</p>
<p align="justify">O problema do pagamento à  vista é quando não temos dinheiro suficiente. Uma opção seria manter o dinheiro investido e esperar até que atingisse o valor necessário, juntando os rendimentos com novas aplicações mensais do que sobra do salário.</p>
<p align="justify">O que nos leva a outra questão: a compra pode esperar? É uma pergunta subjetiva. Nessa época de gratificação instantãnea, é dificil esperar por qualquer coisa, menos ainda por um bem para o qual fomos seduzidos por um apelo comercial bem feito. Mas é bom lembrar que muitas das nossas <em>necessidades</em> são criadas pelos apelos comerciais e pela própria sociedade e, certamente, poderiam esperar um pouco, pois não são coisas imprescindí­veis à  vida.</p>
<p align="justify">Um exemplo prático do que <em>não</em> deve ser feito. Uma amiga minha, bem de vida e cliente de um grande banco, se enamorou de uma SUV de preço considerável. Ela tinha uma aplicação financeira disponível, como reserva para eventualidades e emergências. Mas a agência de automóveis lhe propôs um negócio a prazo, em que ela pagaria uma taxa de juros menor do que a praticada pelo mercado. Ela aceitou o argumento do vendedor, de que, ao pagar uma taxa menor que a de mercado, ela estaria economizando &#8211; e nem precisaria resgatar dinheiro do investimento, mantendo-se, portanto, protegida contra eventualidades. Em resumo, um negócio bom em dobro, certo? Errado! Em primeiro lugar, porque, mesmo pagando uma taxa menor do que a de mercado, os juros eram mais altos do que os rendimentos do investimento, portanto, ela estava perdendo dinheiro. A comparação deveria ter sido feita com os rendimentos do investimento, não com os juros do mercado. Quanto à  proteção contra imprevistos, ao contrair a dí­vida da compra do veí­culo, ela anulou a segurança pretendida com o investimento, pois, mesmo sem imprevisto algum, já era responsável por um valor a pagar. Mas ela me disse: <em>Elmer, comprei um carro maravilhoso e economizei dinheiro pagando uma taxa de juros menor&#8230; e ainda mantive o investimento que tenho para imprevistos. Não foi bom? </em>Eu poderia ter respondido que foi bom, sim, para o banco, que manteve o dinheiro dela aplicado, e para a agência de automóveis, que, além da margem de lucro sobre o valor do carro, também ganhou na operação financeira &#8211; dao o interesse do vendedor no negócio a prazo. Mas eu estaria errado se desse essa resposta, que poderia estragar a alegria dela. Afinal de contas, ela agora tinha um carro maravilhoso e ainda continuava como cliente importante do banco. Ela poderia até olhar para o carro (bem) usado que eu tenho e pensar &#8211; com razão &#8211; que eu estava mesmo era com inveja.</p>
<p align="justify">Conclusão: as decisões financeiras são sobretudo emocionais. Ou, em linguagem popular do tempo dos meus avós: <em>mais vale um gosto que seis vinténs &#8211; </em>ou seis reais, para os jovens que não sabem o que são vinténs.</p>
<p>Boas compras pra você!</p>
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