101. As lições do ônibus 116
15 fevereiro 2010 | Por Elmer Ponte | Seção: Um Minuto pra Vida TodaDurante três dias seguidos, eu vi o meu ônibus – o 116 – passar justamente quando eu estava chegando na parada, antes que tivesse tempo de sinalizá-lo. Pensei então como era possível que isso acontecesse três vezes seguidas, e logo quando eu estava com pressa. Era muita falta de sorte! A frustração de ver o ônibus passar veloz, enquanto eu me quedava impotente e ansioso, me fez até lembrar da Carolina do Chico Buarque, que via a vida passar da janela. Como uma pessoa pode ir pra frente desse jeito!? Mas, para meu alívio, em dois desses episódios a falta de sorte foi logo compensada quando, em seguida, passou o Grande Circular, que também me serve.
Cheguei a algumas conclusões:
- Como eu não controlo o horário do ônibus nem tenho uma hora certíssima para sair de casa, fico à mercê da sorte. Na Europa e nos Estados Unidos, os horários em que o ônibus passa estão afixados na parada, e as pessoas podem até consultá-lo na web, imprimí-lo e carregá-lo no bolso – justamente para chegarem na parada a tempo. Conclusão: Podemos reduzir o papel da sorte em nossa vida, embora, no Brasil, restasse uma questão – como garantir horários certos nas condições de trânsito das nossas cidades? Condições essas que se agravam justamente porque os ônibus não têm horários certos, nos obrigando a usar os automóveis – um círculo vicioso sem fim.
- Não devemos nos precipitar ao avaliar a nossa sorte, pois não sabemos o que vem depois – para o bem ou para o mal. No meu caso, veio o Grande Circular – para o bem.
- Quando se fala numa coisa ou numa pessoa, ou quando se vive determinada experiência, ela logo aparece em nossa frente, ou se repete. Comecei a pensar na sorte de alcançar o ônibus justamente depois que escrevi a Mensagem 97, sobre… isso mesmo, a sorte. Conclusão: Nossa percepção das coisas depende das experiências e dos pensamentos recentes.
- Apesar dos relógios, a medida do tempo varia com as circunstâncias. Perder o ônibus quando se tem pressa aumenta a espera pelo próximo, mesmo que venha logo depois. Mas, se o tempo é tão variável, porque então sempre dizemos que tudo leva quinze minutos e também que já estamos esperando há meia hora?
Agora me dê licença, que vou pegar o 116. Mas antes um grande abraço!

Muito interessante a observação-já estamos esperando faz meia hora!Abraços
É CARNAVAL! E ESTOU AQUI LENDO SEUS ARTIGOS … MARAVILHOSOS … OBRIGADA POR ESCREVER TÃO BEM, LINDO E DE EXPRESSAÃO.. QUE TÃO ME AJUDA!
Obrigado a vocês por comentários tão estimulantes. Com leitores e LEITORAS assim, cresce a satisfação de escrever!
[...] mensagem anterior eu me despedi de vocês dizendo que ia pegar o ônibus 116, aquele mesmo que, três vezes seguidas, [...]