63. Haja papel!
18 maio 2009 | Por Elmer Ponte | Seção: Um Minuto pra Vida TodaA plena realização das possibilidades que o computador nos oferece depende da quebra de hábitos e paradigmas, pois uma coisa muito poderosa chamada inércia costuma se colocar no caminho de qualquer mudança.
O computador trouxe a promessa implícita de acabar com a papelada que tem o hábito de crescer nas mesas de trabalho, um verdadeiro peso em nossa vida. Mas a papelada continua grande em muitas mesas, até maior que no passado. Além da inércia pura e simples, existe a questão da percepção de segurança que uma folha de papel nos traz – um ente material que podemos ver e pegar – em comparação a um arquivo eletrônico – um conjunto de bits e bytes que não podemos ver, nem sabemos direito o que é. O pior é que essa percepção foi reforçada quando se divulgou que a informação digital podia, de fato, se perder em longo prazo. Além disso, se o computador nos trouxe uma maneira nova de guardar informações, nos trouxe também grande facilidade para preservar a maneira antiga. É que ele veio acompanhado de um equipamento verdadeiramente diabólico, a impressora, que tornou banal imprimir desde uma folha de papel até um livro – uma tentação difícil de resistir.
Eu o convido a resistir a essa tentação. Habitue-se a ler arquivos na tela, utilizando os recursos de visualização. Habitue-se a enviar documentos em forma digital, até para não congestionar a mesa do destinatário. Se faz mesmo questão de imprimir um rascunho, não esqueça o modo rascunho de impressão, que economiza tinta, e a impressão em frente e verso, que economiza papel. E revise cuidadosamente o arquivo. Quantas vezes você não descobriu imediatamente um erro ao pegar a folha impressa, tendo de reimprimir o documento? Na pressa de concluir o trabalho, você terminou gastando mais tempo seu, mais dinheiro da empresa e comprometeu mais ainda o meio ambiente. (Aliás, existem dois comandos que exigem calma: o de imprimir e o de enviar um e-mail.)
Porém, mesmo que acabe com a papelada, se você não se organizar, corre o risco de transferir a bagunça da mesa para dentro do computador – uma bagunça que não se vê, mas que está lá. É o assunto da próxima semana.