68. O que eu espero de um texto
21 junho 2009 | Por Elmer Ponte | Seção: Um Minuto pra Vida TodaSinto grande satisfação quando leio conceitos e idéias que não havia processado antes, mas cuja veracidade e importância descubro por meio da visão de quem os escreveu. Funciona como uma revelação.
Também sinto grande satisfação quando leio conceitos, idéias ou experiências que já havia processado ou vivido antes, mas que não tinha sido capaz de expressar. É como se o trabalho do autor de repente trouxesse legitimidade ao que eu já sabia ou suspeitava, dando-me o conforto de constatar que não estou sozinho. Funciona como uma confirmação.
Sinto grande prazer quando encontro a nuance perfeita, que vem da palavra aplicada com toda precisão – le mot juste, como dizem os franceses, usando uma expressão que, por si mesma, é um exemplo perfeito do próprio conceito que exprime.
Esses achados podem me trazer grande intimidade com o texto, a ponto de imaginar que foi escrito especialmente para mim. Se estiver lendo antes de dormir, essa intimidade me envolve tanto, que pode funcionar como um Lexotan. Ou, pela contundência do achado, pode funcionar como um café forte, que não me deixa dormir. Ou como um soco no estômago, que me sacode fisicamente.
Mas, se fosse resumir num único pensamento o que mais espero de um texto, eu diria que é ser levado a lugares onde nunca estive antes.
E você, o que espera de um texto? E o que o faz pensar que ele foi escrito especialmente pra você?