73. Não acredite em tudo o que você pensa
27 julho 2009 | Por Elmer Ponte | Seção: Um Minuto pra Vida TodaUma pesquisa formal chegou a uma surpreendente conclusão: Os fumantes se separam mais do que os não fumantes. Poderíamos então pensar que, além de fazer mal à saúde, o cigarro faz mal ao casamento. E eu fiz outra constatação também surpreendente: Muitos casais que conheço se separaram depois de uma viagem à Europa. Logo, a Europa faz mal ao casamento.
Ambas as conclusões são, evidentemente, equivocadas. Não é o cigarro que faz mal ao casamento. Existem causas comuns que levam as pessoas a fumar e a se separar. Pessoas que fumam podem ser mais inseguras, utilizando o cigarro como apoio. A mesma insegurança que leva ao fumo pode levar à separação – pelo ciúme, por exemplo.
Também não é a Europa que faz mal ao casamento, e sim a convivência longa e permanente de uma viagem de férias – principalmente se o casal for obrigado a conviver naqueles minúsculos quartos de hotel de Paris. Um casal de amigos me falou da surpresa que lhes reservou uma viagem de 20 dias, tirando-lhes todas as oportunidades que tinham de estar distantes um do outro – durante as horas de trabalho, por exemplo. A viagem de férias é um teste de convivência e tolerância. E tem o agravante da ociosidade, pois a ocupação permanente pode ser uma forma – mesmo que mal resolvida – de conviver com as diferenças, ambiguidades e pontas soltas.
Um colega de trabalho me falava que mantinha o casamento graças ao trânsito congestionado de São Paulo. Depois do trabalho, tomava chope com os amigos para esperar passar a hora do rush. Assim, chegava em casa bem tarde, quando a mulher já se preparava pra dormir. Certamente esse casal não resistiria a uma viagem de férias à Europa.
No mundo complexo de hoje é difícil identificar as associações corretas entre coisas aparentemente distintas. Você imaginaria o cigarro, a Europa, a ociosidade e o trânsito de alguma maneira relacionados com a estabilidade do casamento? Mas a vida pode se acomodar de forma surpreendente. Por isso, não acredite em tudo o que você vê, nem em tudo o que você pensa. E para ver as coisas com clareza, exercite o raciocínio crítico, que é, por sinal, ingrediente indispensável para tomar decisões certas na vida.
Semana que vem tem mais!

Elmer, bom dia!
Estou gostando muito do seu site e dos seus artigos. Eles são ótimos, sua escrita e o conteúdo é de extrema importância e relevância.
Sou professora de Graduação na disciplina de Competências Profissionais e Filosofia e Metodologia Científica. Seus artigos estão servindo como parte das aulas de reflexão e debate, posso? Levo seu nome junto comigo.
Você está de partabéns!
Abraço,
Denise Ribeiro.
Prezada Denise,
Comentários generosos como o seu muito me estimulam, pois o trabalho de quem escreve só se completa na mente de quem lê.
Você desenvolve uma atividade fascinante, pois a sabedoria torna a vida mais feliz – e, como professora, você distribui sabedoria. Além disso, Filosofia e Metodologia são essenciais para mantermos o rumo de nossa jornada.
Obrigado por levar meu nome às suas aulas através dos meus artigos. Assim, você me enriquece.
Quando for o caso, gostaria que postasse comentários e sugestões de seus alunos, além dos seus próprios.
Tenha uma boa semana!
[...] nos enganando e até culpando o cigarro e a Europa pelo fracasso dos casamentos, como eu escrevi na Mensagem 73. E acabaremos acreditando em muita coisa falsa que nos é [...]
[...] P.S. Para outros exemplos do risco de estabelecer relações de causa e efeito, leia a mensagem 73. [...]