22. Nunca deixe de viver

31 julho 2008 | Por Elmer Ponte | Seção: Um Minuto pra Vida Toda

Começa na infância e na adolescência um conflito que depois nos acompanha por toda a vida, entre o que devemos e não devemos fazer: subir na árvore e arriscar uma queda violenta ou nos contentar em ver a árvore de baixo, sem a emoção da aventura? Atravessar o lago a nado, arriscando nos afogar, ou permanecer à margem, sem a adrenalina do exercício nem a emoção da chegada, enquanto nossos amiguinhos fazem a travessia? Ser sempre leais aos nossos amigos, acompanhando-os em todas as aventuras ou ser cautelosos e racionais para evitar problemas desagradáveis? Descobrir livremente o amor ou seguir as regras da abstinência e da prevenção?

Como alertava o poeta Vinícius, são demais os perigos desta vida. Mas se nos protegermos excessivamente contra esses perigos, podemos estar nos protegendo contra a vida, já que o risco é parte inseparável dela. Por isso, seja inteligente e esperto (no bom sentido, claro), mas nunca deixe de ousar viver. E, quando estiver temeroso, lembre-se das palavras de Mark Twain sobre a preocupação: Eu passei por coisas terríveis na minha vida, algumas das quais de fato aconteceram.

Recentemente, meu grande amigo e colega de faculdade Ricardo Liebmann perdeu sua querida Eliane, com quem teve uma vida de felicidade. Ele me disse encontrar consolo para sua dor na grande paixão que viveu: saber disso consola, mas, ao mesmo tempo, justifica uma imensa saudade… Nunca mais terei a oportunidade de descobrir o que só se descobre na juventude, ao fazer certas coisas pela primeira vez, com sua intensidade e surpresa… Isso se soma à dor da perda.

Lembrei-me então do pensamento que recebi do nosso colega Clá¡udio Nogueira: a saudade é a maior prova de que o passado valeu a pena. E escrevi ao Ricardo que a pior dor é a saudade daquilo que não fizemos – porque não soubemos fazê-lo ou não tivemos a coragem de fazê-lo.

Se você deixou de viver o passado como gostaria, viva intensamente o presente, agora com a vantagem da experiência – como eu também procuro fazer. Sempre existe tempo para criarmos momentos inesquecíveis em nossa vida. E assim poderemos olhar a parte vazia do copo com a mesma satisfação e tranquilidade do médico, leitor (e, agora, também amigo) Marcelo Mourão, de quem recebi um testemunho que inspirou o tema desta mensagem.

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Um comentário
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  1. Caro Elmer

    Me alegra saber que você continua ativo profissionalmente e com projetos para muito adiante. Sucesso. Contudo, o que ressalta nos seus escritos é a expressão de uma sensibilidade para com o outro, louvável e que engrandece o ser humano. Que Deus continue enriquecendo a sua vida e aumentando a sua sabedoria, lhe dá paz, saúde e acima de tudo a oportunidade de reconhecê-lo como Senhor e Salvador.

    Hoje, iremos à noite, um jantar na casa do Oto. Todos os da T-68 que estiverem aqui. Claro que nem todos irão. Será que são como aqueles que não sobem na árvore ou não atravessam o lago? Ou ainda outro tipo – o ser humano é muito diverso.

    Abraços e sucesso.

    Macedo

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