24. Para julgar e tomar decisões, não ande na contramão

16 agosto 2008 | Por Elmer Ponte | Seção: Um Minuto pra Vida Toda

Você já passou por situaçõs em que jurava estar certo, mas depois se perguntava, perplexo, como podia ter se enganado tão feio? Você já parou pra pensar que isso ocorreu justamente quando tinha muita certeza daquilo que pensava?

Nossas crenças e preferências, resultado da herança, da formação e das experiências que tivemos, determinam nossa maneira de pensar e de ver as coisas. Mas essa mesma bagagem que carregamos vida afora pode nos impedir de avaliar as questões com objetividade e isenção.

Fazemos o caminho inverso ao que deveríamos fazer: partimos da conclusão – que deveria ser o ponto de chegada – e procuramos argumentos que a justifiquem e comprovem. Daí para chegarmos a conclusões equivocadas é um pulo. Alás, não chegamos a conclusões equivocadas, pois partimos delas – daí a certeza a que me referi acima. Noutras palavras, andamos na contramão. E como somos muitos andando na contramão (ou melhor, andando para todos os lados), os conflitos podem ser grandes – como seriam no trânsito das cidades, se a mesma coisa acontecesse. A diferença é que não tem blitz para nos parar quando estamos na contramão das idéias, até porque, nesse caso, quem teria autoridade para determinar o que é contramão?

O mais impressionante é como nossa mente pode nos enganar, fazendo-nos ver apenas os argumentos que favorecem nossos julgamentos e decisões. A propósito, encontrei dois livros que expressam com perfeição essa questão: Não Acredite em Tudo o Que Você Pensa e Porque Pessoas Inteligentes Podem Ser Tão Estúpidas. Encontrei também Como a Picaretagem Conquistou o Mundo, que não expressa diretamente o mesmo conceito, mas tem tudo a ver com ele – afinal, num mundo em que é tão fácil se enganar, tudo é possível. Não li esses livros, por isso não citei seus autores e não os estou recomendando, mas seus títulos bem humorados me disseram muito.

Resolver a questão das idéias preconcebidas não é fácil, pois estamos contaminados por nossas preferências. Mas podemos partir sempre de uma página em branco e listar todos os prós e os contras – principalmente os contras. E devemos tomar cuidado para não nos afeiçoarmos demais à bagagem que carregamos vida afora. Isso seria o equivalente a não nos levarmos muito a sério. É isso mesmo, quem se leva muito a sério erra mais.

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