97. Por que erramos tanto? (10)
9 janeiro 2010 | Por Elmer Ponte | Seção: Um Minuto pra Vida TodaPorque nos falta sorte
Será que competência é suficiente para garantir o sucesso?
O professor Paul Shoemaker, especialista no assunto, costuma mostrar um fluxograma que coloca a competência e a sorte lado a lado como determinantes do resultado de qualquer empreendimento. Trata-se de fato difícil de aceitar, pois não gostamos de reconhecer a falta de controle sobre a vida. Por isso, eu aprecio quando uma pessoa bem sucedida admite o papel da sorte em sua vida, reconhecendo que outros também mereciam o sucesso, mas nunca conseguiram chegar lá.
Woody Allen tem dito que deve muito à sorte, acrescentando que tinha tudo para dar errado. Em Match Point ele aborda esse tema de forma brilhante. O filme começa mostrando que a vida é como uma bola de tênis, que, ao bater no topo da rede, pode selar a sorte dos jogadores, dependendo de que lado caia. E o final da história é surpreendente, mostrando como condicionantes incontroláveis podem determinar o destino de uma pessoa.
Todos sabemos que o pão pode cair com o lado da manteiga para cima ou para baixo, determinando a sorte de quem o deixou cair… e de quem vai limpar o chão. Esse exemplo singelo pode ser generalizado para mil outras circunstâncias banais – como o jogo de dados, o lançamento de uma moeda ou o tempo de espera do ônibus – e também se aplica a circunstâncias importantes, que podem ter grande impacto em nossa vida. No caso do pão, você deve ter o cuidado de não deixá-lo cair, reduzindo assim o papel da sorte em sua vida – mesmo que não possa controlá-la. O mesmo vale, até certo ponto, para muitas outras coisas.
Tomara que esse ano lhe traga muita manteiga no pão (da boa). E tomara que você nunca deixe seu pão cair.
De qualquer modo, desejo-lhe muita sorte. Você vai precisar dela… em 2010 e sempre!
P.S. Eu publiquei quatro novos podcasts da Caixa de Ferramentas. Não deixe de ouví-los!

Meu caro Elmer,
Ao invés de manteiga no pão, não poderia ser margarina, que é mais saudável?
Um abraço,
Ricardo
Elmer,
O pão sempre cai, os revezes sempre acontecem. Mesmo uma pessoa bem sucedida (seja qual for a definição de bem sucedida) tem seus momentos de má sorte. Isso me faz pensar que no fim das contas, na hora da morte mesmo, o que conta é o saldo final. Acho que dá pra calcular isso fazendo uma sincera reflexão sobre o seguinte: Fiz o bem? Fui generoso? Meus filhos são boas pessoas? Dei a eles um bom exemplo? Contibuí de alguma forma com as pessoas que me acompanharam na jornada da vida? Deixei um legado (não necessariamente material)?
Às vezes a gente toma tanto cuidado pro pão não cair e mesmo assim ele cai, e com a manteiga e a geléia pra baixo. Muitas vezes, nós mesmos temos de limpar chão. Conheço de perto a frustração de saber que fiz tudo o que podia e ainda assim ter dado com os burros n’água em várias situações. Mas esse é o papel da sorte, do destino, do acaso, enfim, da aleatoriedade: Dar um rumo às coisas – de acordo com os nossos desejos e interesses, ou não.
Mas quem controla a vida?
Oi Elmer, adorei esse minuto.
Hoje nesse nosso Brasil, quanto mais competentes formos mais incomodamos e imediatamente somos alvos dos que fazem parte do pacto da mediocridade, ou seja a prepotência e a ignorância juntas, de muitos que não admitem o sucesso, a competência e a sorte de outros, tratando imediatamente de descartá-los desqualificando-os. Quanto a sorte não há quem possa tirar dos que nascem com ela.
Um novo ano muito tranquilo e alegre,
Beijo, Beta
[...] mensagem passada eu abordei o papel da sorte em nossa vida, colocando-a no mesmo nível da competência como fator [...]
[...] ou se repete. Comecei a pensar na sorte de alcançar o ônibus justamente depois que escrevi a Mensagem 97, sobre… isso mesmo, a sorte. Conclusão: Nossa percepção das coisas depende das [...]
[...] depende muito mais do imponderável, do imprevisível, da sorte mesmo – como eu já abordei na mensagem 97. Certamente, quando tentei vender os livros eu não estava no lugar certo na hora certa, nem falei [...]